4 de novembro de 2020

Por que sentimos medo?

Vamos trazer a resposta com base em conceitos filosóficos, psicológicos, biológicos e químicos. Mas, resumidamente, podemos dizer que o medo está relacionado ao receio da morte e é um mecanismo do nosso corpo que visa garantir a nossa sobrevivência.

Segundo a tradição da Filosofia Britânica, a exemplo de pensadores como Thomas Hobbes e David Hume, o medo dialoga essencialmente com o receio da própria morte. Nesse sentido, a dor e o sofrimento, sejam eles físicos, sejam psíquicos, nos remetem à possibilidade da morte, pois representam obstáculos ao andamento e à fluidez da vida. Inversamente, sensações de prazer e satisfação – também físicas ou psíquicas – são buscadas por nós porque nos transmitem uma mensagem de fluidez da vida; uma espécie de sinal de que ela está na direção certa.

Em uma perspectiva psicológica e psicanalítica, o medo também se associa àquilo que desconhecemos: tememos o que não conhecemos. Por consequência, situações que escapam do nosso controle, ou cujo desfecho não conseguimos prever, tendem a nos causar medo, angústia e ansiedade. Uma vez que nossa psique consolida-se com situações prazerosas e dolorosas, aprendemos diferentes formas de superar esses medos por meio de nossas crenças, nossos valores ou nossas convicções. Entretanto, contextos desconhecidos por nós – como o que estamos vivendo em meio à pandemia do coronavírus – desafiam nossos antigos meios de superá-los, pois não temos evidências ou garantias de que funcionarão, o que gera entre nós um medo ainda maior, a ponto de poder se transformar em pavor ou em um grave trauma em nossas vidas.

O medo também encontra explicações na Química e na Biologia, pois é uma reação involuntária e natural causada quando passamos por algum estímulo estressante. Essas experiências, como ver uma barata ou estar prestes a iniciar a descida de uma montanha-russa, ativam no nosso organismo o chamado mecanismo de luta ou fuga. É quando o sistema nervoso estimula as glândulas suprarrenais (ou adrenais) a liberar adrenalina (também conhecida como epinefrina) para que o corpo entre em um estado de alerta. Esse hormônio provoca a dilatação da pupila (para captar mais luz), o aumento da pressão sanguínea, da frequência respiratória e dos batimentos cardíacos (para oxigenar mais a musculatura), nos deixando prontos para correr ou lutar. Assim, o sentimento de medo é uma reação natural e saudável do nosso corpo, que visa proteger nossa sobrevivência com base nas situações que já vivenciamos e reconhecemos como perigosas ao nosso organismo.

A pergunta foi enviada por Matheus Jakubowski Zoratto, estudante da 1ª série B do Ensino Médio. A resposta contou com a colaboração dos professores Michael de Souza Cruz, de Filosofia, Tanilene Persch, responsável pelo Laboratório de Biologia, e Alessandra Rosa, responsável pelo Laboratório de Química do Colégio Farroupilha