Dicas para apoiar o desenvolvimento socioemocional das crianças

17 de julho de 2020

A psicóloga Ineida Aliatti conversou com as famílias da Educação Infantil em edição on-line do Cuidar é Básico que aconteceu no dia 30 de junho – clique aqui para relembrar o encontro e ver o vídeo completo. A criatividade para transformar os fatores que geram estresse em esperança foi um dos pontos destacados pela especialista. Confira alguns trechos da fala dela que trazem dicas para apoiar o desenvolvimento socioemocional das crianças nesse momento de pandemia:

  1. 1 – Mantenha a rotina: planejar o dia e mantê-lo o mais próximo possível da rotina habitual pode ser um fator protetivo contra o estresse. A criança deve saber o que vai acontecer cada dia da semana e cada turno do dia. É importante manter horários para atividades, como: acordar, dormir, tomar banho, fazer as refeições, estudar, ajudar em casa, brincar, fazer exercícios físicos, se comunicar com a família e com amigos, aproveitar o sol, ler ou ouvir histórias, entre outras que fazem parte da rotina da família.

2- Organize os espaços da casa: como estamos isolados, fechados em casa ou no apartamento é importante expandir os espaços para as crianças, mas com organização.

3- Organize o tempo: no sentido de a criança poder se orientar em relação ao tempo. Para isso, além das rotinas diárias, é importante criar uma diferenciação entre as rotinas dos dias da semana e dos finais de semana.

4- Elogie e aceite recuos: é importante elogiar o que a criança consegue e aceitar, como sinais de insegurança, os eventuais recuos em etapas que já haviam sido superadas (como chupar dedo ou fazer manha, xixi, birra…). O reforço positivo é uma estimulação importante.

5- Estimule o contato virtual com amigos: proporcione encontros virtuais entre os amigos para que possam conversar, jogar e brincar, assegurando o pertencimento ao grupo.

6- Converse e filtre as informações: tenha momentos de conversa durante o dia (não antes de dormir) sobre o dia e o que está acontecendo na pandemia.  Evite os excessos de notícias e comentários sobre o atual momento. O diálogo e a reflexão são importantes para criança aprender a expressar o que sente, sabe e imagina. Com isto, a criança também aprende a pensar.

7- Tenha compaixão consigo e com as crianças: todos nós teremos diferentes regressões e reações, bem como poderemos errar, se confundir, se enganar, perder a paciência. Supervalorizar as reações e atitudes das crianças como problemáticas pode prejudicar no nosso julgamento. Mas também ao contrário, entendê-las apenas como relacionadas ao confinamento e à convivência intensa e nova com familiares, pode não auxiliar a crianças.

8- Possibilite momentos de individualidade: é importante proporcionar um momento e espaço de estar só, tanto para a criança como para os pais.

9- Redimensione as necessidades: repense o que é realmente necessário, neste tempo.  Tem atividades, compromissos e gastos econômicos que não podem ser adiados, mas tem os que podem ser redimensionados.

10- Controle as emoções: isso é sem dúvida é mais difícil quando estamos confinados.  O limite de espaço e tempo parece nos tornar impotentes e ineficazes para dar conta de tudo, por isso corremos o risco de perder o controle. Acontece, não nos martirizemos. Mas, adultos que somos, podemos ser capazes de monitorar nossas emoções para não chegar ao limite. A criança ainda não tem essa capacidade monitoramento e, por isso, precisamos entendê-la, flexibilizar e ensiná-la com nosso exemplo.

11- Tenha esperança: ela é um ponto fundamental. A criança perceber que juntos, em casa podem ajudar a melhorar. Os pais devem buscar mostrar situações positivas, como de ajuda e de solidariedade no mundo.

A psicóloga também recomendou alguns materiais com histórias sobre a pandemia do coronavírus adequadas às crianças:

–  “Coronavírus”, da Série Pequenos Cientistas, desenvolvida pela UFMT – acesse aqui.
–  “Coronavírus: vamos nos proteger”, Cartilha do Ministério da Saúde – acesse aqui.
– “Cartilha: Olá, eu sou o Coronavírus”, desenvolvida pela psicóloga Manuela Molina – acesse aqui.
– “O Inimigo Invisível”, Animação infantil desenvolvida pela UFRN – assista aqui.