Psicóloga fala sobre as emoções das crianças na quarentena

30 de junho de 2020

Na noite de terça-feira, 30 de junho, o Colégio Farroupilha promoveu mais uma edição on-line do Cuidar é Básico para as famílias da Educação Infantil. A convidada para falar sobre o “Desenvolvimento socioemocional em tempos de pandemia” foi Ineida Aliatti, psicóloga clínica, mestre em Psicologia da Personalidade, especialista em psicoterapia de crianças e adolescentes no Centre Alfred Binet (Paris), professora e supervisora do CEAPIA, da PROJECTO, psicoterapeuta, grupoterapeuta, consultora e supervisora clinico institucional às equipes da saúde e educação. O encontro foi conduzido pela coordenadora da Educação Infantil, Cleusa Beckel, e pela psicóloga escolar Nadine Cabral.

Ineida explicou que o atual momento – a pandemia e a quarentena – chega ao cérebro das crianças por uma série de informações: pelas emoções dos pais e dos adultos significativos na vida delas, pelas mudanças da rotina e do ambiente e pelas situações que geram sofrimento, como não poder abraçar e encontrar os avós e os amigos, fazer festa de aniversário, brincar no parque e, ainda, não ir à escola.  “Os pais podem reconhecer sinais de estresse nos filhos e transmitir respostas de acolhimento, segurança e aprendizado. Muitas vezes, porém, os pais não reconhecem, ou podem reconhecer, mas não sabem o que fazer. Ou, ainda, podem reconhecer e transmitir respostas que geram mais medo, mais segurança e mais desamparo, estabelecendo um ciclo negativo em função da ansiedade do momento”, destacou.

As reações comportamentais e emocionais que as crianças podem desenvolver durante a quarentena serão transmitidas, de acordo com a psicóloga, de forma direta – medo, inquietação, dificuldade de concentração -, ou indireta – insônia, pesadelos, ansiedade, má alimentação, tristeza, tédio, sensação de solidão, cansaço ou culpa. “Todas as crianças apresentarão algum tipo de reação, mas se os pais conseguirem manter as suas vidas em andamento, se comunicando com as crianças e mantendo as relações de afeto, isso repercutirá positivamente”, afirmou.

Entre as dicas de como auxiliar no desenvolvimento socioemocional das crianças estão a transmissão de segurança pelos pais, a busca por aspectos positivos frente às adversidades, o incentivo para que as crianças participem de tarefas da casa, conversas e perguntas sobre a situação atual, o contato virtual com familiares e amigos, a manutenção da rotina e, principalmente, o brincar. Além disso, a psicóloga enfatizou que os pais devem atender a três necessidades psicológicas: o relacionamento ou senso de pertencimento, a competência e a autonomia. “É necessário que as crianças mantenham o relacionamento, ainda que virtual, assegurando pertencimento, o senso de competência – sentir que ela é capaz – e o exercício da autonomia”, comentou.

Por fim, Ineida salientou que é preciso que os pais valorizem a oportunidade de ficar mais tempo com os filhos neste momento e inventem novas atividades. “Aumentem esse vínculo, se conheçam mais, tenham mais trocas afetivas e de aprendizagem, pois isso ajuda muito no amadurecimento da criança. O que fica de aprendizado é que, apesar do estresse do momento, estamos aprendendo a cuidar uns dos outros”, concluiu.