Preocupações no universo digital são abordadas no Cuidar é Básico

23 de abril de 2019

Na noite de segunda-feira, 22 de abril, famílias de todos os níveis de ensino participaram do encontro do Cuidar é Básico “Universo digital: com o que devemos nos preocupar?”, que integrou a programação da Farroups TECH 2019. Os convidados foram Carolina Lisboa, psicóloga, terapeuta cognitiva e professora do curso de Psicologia da PUCRS, e Júlio de Almeida, promotor de justiça da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Porto Alegre.

No primeiro momento da palestra, Carolina abordou questões relacionadas aos fatores de risco do uso excessivo de smartphones e das tecnologias, além do papel das emoções e das famílias e da escola na conscientização das crianças e dos jovens. A psicóloga falou sobre a primeira pesquisa que fez com jovens da Geração Y (nascidos após o início da década de 1980 até o final da década de 1990/meados dos anos 2000). A maioria afirmou que, se não fotografarem e compartilharem a experiência do momento, parece que aquilo não existiu. “Fiquei realmente preocupada de como eles focavam no exterior. É uma valorização excessiva do que vou mostrar para os outros, e não para mim”, recordou.

Ela observou, também, que, além da dificuldade em discernir o que é privado e o que deve ser mostrado, os jovens são imediatistas e têm dificuldade em se frustrar, uma vez que as tecnologias são uma ideia ilusória de que tudo é muito acessível, e, muitas vezes, não conseguem se colocar no lugar do outro. Ainda sobre empatia, Carolina compartilhou que o uso da tecnologia tem ocasionado um déficit em habilidades sociais nos adolescentes: as redes sociais permitem a desinibição online e têm menos exposição do que o “ao vivo”. Assim, o que se percebe é um déficit em empatia. “Precisamos identificar no rosto da pessoa se ela está gostando do que estou falando, se há uma troca afetiva acontecendo. Estamos perdendo isso com as tecnologias. A gente precisa se expor na vida para nos relacionarmos. Somos seres sociais por natureza. Relações interpessoais são fundamentais para a formação da nossa identidade e autoestima”, frisou.

Em relação às famílias, Carolina lembrou que, enquanto os filhos nasceram no mundo digital e são “nativos”, os pais, em alguns momentos, têm dificuldade em entender as tecnologias, já que são os chamados “imigrantes digitais”. Para a especialista, é importante que os pais observem os filhos quanto à frequência, à intensidade e aos prejuízos do uso do celular e da tecnologia e que conversem sobre os riscos. “Como está a qualidade do sono deles? Como está o desempenho escolar? Eles realizam outra atividade além da escola? Os pais precisam conversar e dizer que eles precisam parar e pensar no que eles estão fazendo; que vocês entendem que as tecnologias são leais, mas existem consequências”, destacou.

Os riscos da auto-exposição digital e do compartilhamento de imagens foram os pontos abordados na fala do promotor de justiça Júlio de Almeida. Ele mostrou aos presentes o vídeo da campanha “Quando uma imagem vira pesadelo”, lançada em 2017 pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, com o apoio da Escola de Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul), que reflete sobre os riscos de compartilhar fotos/vídeos na Internet. Além disso, o promotor falou que os pais têm o dever de saber com o quem o filho fala, por onde anda e quais conteúdos acessa e que isso está determinado em lei. “Se o filho praticar cyberbullying, por exemplo, é a família que responderá por isso. Assim, os pais têm a responsabilidade em zelar os filhos. Cuidado e atenção são o exercício de uma ‘autoridade’ sadia”, concluiu.