Humor: por que rimos?

17 de janeiro de 2013

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 O concorrido processo seletivo de vestibular da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul encerrou no dia 16 de janeiro e teve mais de 40
mil candidatos. A prova de redação aplicada neste ano provocou os candidatos a
refletir sobre a liberdade de expressão e eventuais excessos cometidos no
exercício desse direito. O tema “O Papel e os Limites do Humor na Sociedade”
requereu dos estudantes observar as manifestações de humor cada vez mais comuns
nos meios de comunicação, na internet, nas casas de teatro, e em tantas outras
situações, responsáveis por gerar na sociedade as reações mais diversas. Tal
assunto já havia sido trabalhado em 2011 nas aulas de redação do Ensino Médio
do Colégio Farroupilha. Em outubro de 2011, os alunos da 1ª série do Ensino
Médio tiveram a oportunidade de escrever uma redação sobre o Humor,
desenvolvida pelo professor Eduardo Elisalde Toledo. 

Confira abaixo o texto desenvolvido em 2011 para estimular
os alunos a escreverem um texto dissertativo sobre o assunto:

Quando quer enfatizar a importância do contexto para o
entendimento de uma frase, o gramático Evanildo Bechara ri ao citar de memória
uma manchete que o marcou em 1967. O cantor Sérgio Ricardo, ante as vaias no
III Festival de Música Brasileira, da TV Record, despedaçara o próprio violão
na plateia que ouvia Beto Bom de Bola.

"Violada em pleno auditório", manchetou o Notícias
Populares.

Pertencente ao respeitável grupo Folha, que edita Folha de
S. Paulo, o hoje extinto NP por muito tempo representou uma escola de
sensacionalismo que parece nem existir mais nas bancas. Mas a prática
linguística de imprimir humor à informação, ah, essa anda viva como nunca.

Que o diga o tabloide Meia Hora, irmão popularesco do
carioca O Dia, ao noticiar em 14 de novembro que a Rede Globo afastara o
protagonista da novela Negócio da China por dependência de cocaína:

"Fábio Assunção dá um tempo na carreira".

Ou a chamada de capa de seu conterrâneo Extra, do
conglomerado da Globo, que há um ano noticiou a entrega do cargo de Fidel
Castro ao irmão, com a foto do líder cubano em posição de vertigem:

"Fidel chama o Raúl".

Títulos da imprensa, como esses, afagam a ambiguidade
semântica e a malícia discursiva da população. "Carreira", no caso,
permuta os sentidos "trajetória profissional" e "fileira de pó
aspirada por usuários de cocaína". Já "chama o Raúl" simula uma
convocação, mas mira mesmo é na onomatopeia que descreve a náusea dos
embriagados.

(http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11683)

 Chamamos atenção para isto: não há comicidade fora do que é propriamente
humano. Uma paisagem poderá ser bela, graciosa, sublime, insignificante ou
feia, porém jamais risível. Riremos de um animal, mas porque teremos
surpreendido nele uma atitude de homem ou certa expressão humana. Riremos de um
chapéu, mas no caso o cômico não será um pedaço de feltro ou palha, senão a
forma que alguém lhe deu, o molde da fantasia humana que ele assumiu. Como é
possível que fato tão importante, em sua simplicidade, não tenha merecido
atenção mais acurada dos filósofos? Já se definiu o homem

como "um animal que ri". Poderia também ter sido definido como um
animal que faz rir, pois se outro animal o conseguisse, ou algum objeto
inanimado, seria por semelhança com o homem, pela característica impressa pelo
homem ou pelo uso que o homem dele faz.
(BERGSON, Henri. O Riso)

 Maurício Ricardo, que faz todo mundo rir com as charges
criadas para o "BBB", será um dos participantes do bate-papo.  E o que ele acha desse tipo de humor
"tosco" que inunda as conversas on-line? "Tem um tipo de ‘tosco’
bombando que não é tão legal: é o tosco da humilhação e da degradação humana, o
tosco do humor baixo e burro", diz o cartunista, que também é criador do
site Charges.com.br.  "Tem gente que
só entende esse tipo de humor, consequência da queda na qualidade da educação e
da apatia em relação à política", avalia.

Mas o chargista defende um outro lado do "tosco".
"Existe o tosco como conceito estético, algo na linha do desenho de TV
‘South Park’. Existe o tosco como meio de veicular ideias de quem não tem
talento artístico e nem dinheiro para grandes produções, que é super válido: é
o caso das tirinhas com homem palito ou vídeos de fundo de quintal com ótimos
sacadas."

(http://guia.folha.com.br/passeios/ult10050u960127.shtml)

Uma cena ocorrida na última sexta-feira em Hollywood, nos
Estados Unidos, lembrou muito as recentes polêmicas com a comédia stand-up no
Brasil. Tudo por que o comediante americano Aziz Ansari se irritou com uma
frequentadora de seu show e resolveu xingá-la.

"Por que você não usa um ponto vermelho em sua
testa?", perguntou a mulher, que estava no show de comédia de Ansari,
fazendo referência à ascendência indiana do comediante.

"Por que você não tem a palavra vagabunda tatuada na
sua testa?", respondeu Ansari, de acordo com o site da revista
"Entertainment Weekly".

Em seguida, Ansari expressou sua indignação sobre o fato de
ainda haver pessoas racistas no mundo.

Ansari é um dos comediantes mais famosos dos Estados Unidos.
Atualmente, ele estrela a série "Parks and Recreation", além de já
ter atuado nos filmes "Tá Rindo do Quê?" ("Funny People") e
"Eu Te Amo, Cara" ("I Love You, Man"), ambos de 2009. No
ano passado, ele apresentou o MTV Movie Awards.

O caso lembra muito duas polêmicas recentes ocorridas no
Brasil. Uma com o comediante Rafinha Bastos, que disse em show de stand-up que toda
mulher estuprada é feia e, portanto, deveria agradecer a violência, e outra com
o mágico Ben Ludmer, que fez piada autodepreciativa sobre gordos em show no
Teatro Folha e levou uma surra de um espectador acima do peso.

(http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/956571-comediante-americano-xinga-frequentadora-em-show-de-stand-up.shtml)